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Glúten pode? Nutricionistas são contra retirada da alimentação: “Não é vilão”

De tempos em tempos alguns alimentos são promovidos à categoria de vilões da saúde e da boa forma. Ao lado da lactose, o glúten é o eleito da vez. Atualmente as prateleiras dos mercados oferecem uma grande variedade de produtos chamados glúten free, que são mais caros do que as versões tradicionais e não necessariamente menos calóricos. Alguns podem até conter mais gordura. Então, será que retirar o glúten da dieta é indicado para qualquer pessoa? De acordo com as nutricionistas do Hospital do Coração de São Paulo, o HCor, Maria Fernanda D’Ottávio e Camila Torreglosa, não, exceto em casos diagnosticados de intolerância.

E até a intolerância que muitas pessoas dizem ter é questionada, uma vez que estudos apontam que apenas 1% da população brasileira sofre desse problema. A chamada doença celíaca é uma condição autoimune em que o glúten desencadeia uma reação ao sistema imunológico onde as células de defesa do organismo atacam o próprio intestino. A inflamação causada neste órgão compromete a absorção de macro e micronutrientes importantes, causando dor de cabeça, fadiga e sintomas intestinais como, diarreia e flatulência.

– Não há evidências científicas de que consumir produtos livres de glúten traria algum benefício à saúde, incluindo redução do peso, para pessoas que não possuem doença celíaca. Além disso, nem sempre a dieta sem glúten oferece menos calorias, e alguns produtos possuem valor calórico até maior do que os mesmos produtos em sua versão original – opinou Camila.

Maria Fernanda vai além. Segundo ela, é a retirada do glúten da alimentação sem necessidade que pode gerar uma intolerância futura.

– Quando retiramos glúten ou lactose sem necessidade, podemos gerar uma intolerância futura. Porque o organismo passa a rejeitar depois. Há estudos com dois grupos que não sabem o que estão recebendo. E eles relatam os mesmos sintomas quando estão ou não recebendo glúten. O nosso Conselho de Nutrição é bem claro ao dizer que o glúten deve ser retirado só quando houver intolerância, e até para intolerância não há diagnósticos fechados – afirma a nutricionista.

As especialistas são categóricas ao afirmarem que o glúten não é o vilão da história. Para elas, o que engorda é uma alimentação sem equilíbrio, rica em açúcares e gorduras.

– Não há necessidade de cortar o glúten, mas sim de se fazer uma alimentação equilibrada e diversificada. Reduzir gordura e açúcar, sim, faz sentido. Até porque essas dietas muito restritas não duram. Ninguém consegue seguir por muito tempo. E qualquer restrição pode gerar alguma complicação no seu organismo no futuro – alerta Maria Fernanda.

Mas se mesmo assim você optar por deixar de consumir glúten, deve ter um cuidado maior em diversificar sua alimentação.

– Do ponto de vista da fisiologia, tirar o glúten da dieta não faz mal, mas é preciso substitui-lo por alimentos variados, com um bom valor nutricional para evitar o desfalque de nutrientes importantes para a saúde. Neste caso, vale investir no consumo de tapioca, farinha de arroz, polvilhos doce e azedo, milho, mandioca e trigo-sarraceno – observou Maria Fernanda. Camila completou lembrando a importância do consumo de carboidrato, principalmente para quem pratica atividade física, pois há risco de catabolismo, ou seja, perda de massa magra.

– Carboidrato é nossa principal fonte energética. Sem carboidrato a gente pode consumir músculo como fonte energética.

As duas afirmam ainda que é mais inteligente adotar as versões integrais dos produtos que contém glúten, pois elas serão sempre mais ricas em fibras e vitaminas.

– Já foi comprovado que o consumo de cereais integrais está associado com redução do peso, colesterol e prevenção do câncer de intestino – observou Camila.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/eu-atleta